Nossa Crítica
Quando terminei de assistir a “Touki Bouki”, uma das primeiras coisas que me perguntei foi porque o nome “A Viagem da Hiena”, e cheguei à conclusão de que isso se deve à lógica de sobrevivência dos protagonistas.
No contexto de desigualdades sociais do Senegal da década de 70, Mory e Anta nos mostram que nem todos nascem donos de rebanhos, e por isso são forçados a escolher entre ser gado ou hiena. Apesar de todas as atitudes questionáveis dos protagonistas, em nenhum momento senti maldade em suas intenções. Na verdade, as cenas finais do filme mostram até uma pureza em Mory, que encontra na busca pela ida para a França uma motivação para viver seus dias.
Por trás de toda a crítica ao colonialismo, apresentada através da sátira, vejo Mory, cercado pela morte, procurando vida. Uma vida que não necessariamente está na França. Desde o início do filme, a ida de Mory para a França era apenas mais uma tentativa de se distanciar da triste realidade dele.
A trilha sonora do filme, que evoca uma atmosfera onírica, com as cenas onde os personagens passeiam de carro, afirmam esse caráter sonhador do personagem e a tentativa de escapar da realidade. Embora as cenas do abatedouro sejam desconfortáveis, acredito que o filme só é tão grandioso por causa delas. Elas me trouxeram questões bem conflitantes sobre o meu próprio desconforto, me fazendo pensar que quase todos os finais possíveis para os protagonistas eram tão trágicos quanto o dos animais.
Seja pela quebra de expectativa em relação à França idealizada pelos personagens, ou pelo Senegal injusto e sem oportunidades. “Touki Bouki” é um retrato desesperançoso do abandono das terras exploradas por colonizadores, e das cicatrizes incuráveis dessa colonização.
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