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The Last of Us

The Last of Us

2023 50 min ep. Neil DruckmanneCraig Mazin 0
Publicado em 16 de mar de 2023 às 18:00

Em Detalhes

Contrariando pela primeira vez o nome do site, Diário dos Filmes, hoje eu irei falar sobre uma série. E a série em questão não poderia ser outra, a não ser: The Last of Us. Acredito que essa foi a única série que eu fiquei ansioso para ver desde quando soube da sua produção. Eu e todos os fãs da franquia original de jogos ficamos animados com essa adaptação, o que fez surgir um hype enorme e o que poderia causar uma grande decepção caso a série não correspondesse às expectativas. Felizmente, não foi o caso e a série se mostrou fiel aos games e ao mesmo tempo inseriu novos elementos interessantes ao universo. Nesse post, vou tentar exprimir o que eu senti nessa primeira temporada da série. Já adiantando, eu recomendo essa série para qualquer pessoa, tanto as que conhecem a saga de videogame, quanto as que não sabem nada da história original. Acho que, por mais que a experiência seja diferente para esses dois grupos, a série é bem competente para aproveitar a nostalgia de uns e hábil em apresentar o universo para os outros.

Como a expectativa era alta desde o começo, a série precisava se provar. E foi isso que ela fez. Desde o primeiro episódio os realizadores já demonstraram o que viria na sequência e cumpriram muito bem o papel de adaptar o primeiro jogo para o formato de televisão. Muito disso vem da ótima decisão de envolver os realizadores por trás dos jogos para a produção da série, a exemplo do próprio criador e diretor Neil Druckmann, como não poderia ser diferente. Pra complementar e mexer ainda mais com a nostalgia dos fãs, o Gustavo Santaolalla na trilha sonora deixou a série ainda mais satisfatória. Sem contar que a série é uma produção da HBO, sempre lembrada por suas ótimas séries. Uma dessas, que eu posso confirmar, é a minissérie Chernobyl, que é uma das minhas séries preferidas, inclusive. Olhando agora, depois de finalizar a temporada, é muito bom ver que a primeira temporada conseguiu adaptar as 16 horas, mais ou menos, de campanha principal do jogo de 2013 com uma excelência invejável. Mesmo tendo alguns momentos inseridos que não estão presentes no game, a série conseguiu ser muito fiel à narrativa do jogo e, pra mim, absorveu todos os pontos centrais da história perfeitamente. Mesmo com pouco menos de 9 horas de duração total, as relações entre os personagens tiveram uma construção sólida, na série. Isso era uma das coisas mais importantes aqui já que é o fio condutor da trama. Sem isso, toda a carga dramática teria sido perdida. Além das cenas de ação, cenários e maquiagens serem magníficos, o roteiro foi muito bem estruturado aproveitando muito a ótima direção de cena do próprio jogo e adaptando o que poderia ser ainda melhor nesse novo formato. Os arcos de cada episódio foram todos bem escritos e, como um todo, a série conseguiu tocar em vários pontos oportunos direta ou indiretamente, dando algumas camadas interessantes ao desenvolvimento desse universo. A escalação de elenco também me pareceu precisa, com uma química bem agradável entre Pedro Pascal e Bella Ramsey no protagonismo, além de personagens secundários que contribuíram muito com a narrativa. Tudo soou bem durante toda a jornada e as belas mensagens, que o jogo já trazia e apresentava muito bem, foram bem transportadas para as novas telas. Acho que essa adaptação acabou sendo tão excepcional porque conseguiu transpor fielmente o espírito por trás da história original, adicionando novas camadas, proporcionadas pelo novo meio utilizado, capazes de dar uma nova profundidade relevante ao universo.

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A história do mundo pós-apocalíptico, lotado por infectados de um fungo chamado Cordyceps, pode ser confundida com uma trama de ação simplória, mas ela esconde um drama ainda mais interessante do que o universo onde ela se passa. Ao acompanharmos a jornada de um brutamonte mercenário e de uma jovem antipática que, surpreendetemente, desenvolvem um laço forte entre eles, nos damos conta que o principal perigo não são os zumbis e sim os próprios seres humanos. Por quaisquer que sejam os motivos, o ser humano é capaz de tudo para alcançar o que deseja e, numa sociedade tão devastada, a natureza humana é levada ao seu extremo, expondo seus maiores defeitos. No meio disso tudo, o que consegue resistir a essa realidade distópica é a força das relações humanas mais primordiais que nos faz repensar o que elas significam pra nós na nossa própria vivência e sociedade atual. A conexão, então, acaba transpondo os limites da tela e nos atingindo, tornando-nos parte daquilo tudo. Uma ligação capaz de nos deixar imersos numa história de amadurecimento, companheirismo e resistência. Se tem uma coisa que eu sinto é que essa jornada consegue fazer qualquer um pensar na consequência dos seus atos e passar um tempo refletindo sobre a nossa própria existência, seja de forma individual ou coletiva. Mas, se só eu viajo tanto assim para ter uma interpretação dessas 😂, acredito que, no mínimo, tanto a série, quanto os jogos, são um entretenimento de qualidade para se experienciar.

Agora que essa primeira temporada chegou ao fim, mesmo não querendo ver a sequência dessa história de novo (por motivos de 😖, kkkk), eu continuo ansioso para ver como a densa história da segunda parte do game será adaptada. A meu ver, essa será uma tarefa ainda mais árdua para os realizadores já que, além da maior duração, a trama precisa ser muito bem pensada para conseguir expressar os pontos chaves com clareza e tocar os nossos sentimentos de maneira semelhante ao game. De qualquer forma, as pessoas por trás da série já se provaram capazes de criar uma obra muito consistente e arrisco dizer que essa é uma das melhores - se não a melhor - adaptações de games para outra mídia.

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Pra finalizar, vou deixar aqui abaixo os três episódios que foram os que mais me tocaram e me ofertaram as melhores experiências da série: 3. Long, Long Time 7. Left Behind 5. Endure and Survive Os demais episódios, pra mim, ficaram na média do restante da série, o que significa que foram muito bons, mas não mexeram comigo da mesma forma.

Gabriel Santana

Cena final

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