0%
lido
Rye Lane - Um Amor Inesperado

Rye Lane - Um Amor Inesperado

2023 1h 22min Raine Allen-Miller 0
3
AVALIAÇÃO
Publicado em 01 de jan de 2024 às 19:00

Nossa Crítica

Assim como eu finalizei 2023 com um filme surpresa, eu começo 2024 com filme ainda mais inesperado. Se “EMO the Musical” foi uma indicação, “Rye Lane” foi um filme que eu encontrei por acaso e me interessei pela história e também pelo fato de ser curtinho. Assim, decidi fazer dele o primeiro filme do ano. Pra ser bem sincero, essa foi uma experiência bem satisfatória com belíssimos atributos e uma honesta realização.

Essa comédia segue Dom e Yas, dois desconhecidos que se encontram passando por uma situação parecida. Ambos acabaram de terminar um relacionamento. O que se mostra diferente, à primeira vista, é a forma como cada um lida com esse término. Por uma coincidência os dois se encontram e acabam passando um dia juntos, vivendo várias experiências diferentes em um curto espaço de tempo. Essa descarga de sensações acaba unindo-os em uma relação peculiar e aparentemente frágil, mas que esconde surpresas.

Publicidade

O que logo me chamou a atenção no filme foi seu ato de apresentação extremamente curto. Em poucas cenas e em poucos minutos a premissa e os personagens centrais já tinham sido apresentados, inclusive um para o outro. A partir daí o ritmo continua acelerado, mas situações novas vão surgindo, assim como os novos ambientes que o filme se passa. Na verdade o que acontece é que a apresentação é diluída por toda a duração do filme, com elementos ainda surgindo no desfecho. Caminhando pela cidade, Dom e Yas vão se apresentando um para o outro e também para nós. A paisagem urbana dos subúrbios de Londres é muito bem utilizada e a fotografia exalta as cores e os contrastes dessas ruas movimentadas.

Assim como a fotografia e o ritmo do filme, outra coisa que também me chamou a atenção foram as lentes utilizadas em certas cenas. Lentes grande angulares que destorcem os cantos da imagem, mas realçam o centro. Esse efeito cria uma espécie de filtro que em alguns momentos é utilizado para criar um desconforto por causa do desfoque, sempre relacionado ao que há em cena. Além desses efeitos de câmera, o enquadramento também é muito bem utilizado. Há um truque interessante que me agradou bastante visualizar sua utilização. Lembro de dois momentos em que isso acontece, mas podem haver mais. Um close no rosto de um dos personagens com o rosto da pessoa bem próximo à borda do quadro, alternando para o close da outra pessoa em frente à ela com a imagem da mesma forma. Essa alternância dá a sensação de proximidade aumentada e aparentemente, para o espectador, os dois personagens se encontram quase que colados. Não me lembro de ter visto essa técnica em outro filme antes. Achei bem interessante.

Publicidade

Voltando para o ritmo e o tom do filme. A comédia, na maior parte do tempo, funcionou bem comigo e apresentou um tom bem leve. Os personagens abraçam o exagero de algumas cenas e conseguem se soltar com as passagens de montagens em flashbacks que invadem o universo presente do filme sem pedir licença. Há um pouco de metalinguagem também já na parte final, que me agradou bastante, mas que não é tão desenvolvida. É perceptível a mudança da relação do casal principal ao longo do filme e suas ações seguem esse mesmo ritmo. As situações inconvenientes que eles têm que passar ajudam ainda mais a extrair humor do constrangimento. Constrangimento que é muito bem utilizado pelo roteiro para inserir algumas piadas certeiras.

Além de tudo isso, a história do romance que surge durante a duração do filme é bem crível, por mais que seja clichê e às vezes tenha que se prender a isso, perdendo alguns pontos em questão de agilidade, se comparado ao seu início. Na verdade, há um conflito desnecessariamente alimentado que não apresenta tanto fundamento, mas que foi inserido para que houvesse um reatamento no clímax final. É clichê e foi um pouquinho forçado, pra mim, mas nada que pudesse estragar o bom desenvolvimento do filme até então.

Publicidade

Pra finalizar, um último ponto que me chamou a atenção foi a trilha sonora. Principalmente com seus efeitos musicais que realçam as piadas e as situações cômicas. Além disso, a música tem um papel importante para o desenvolvimento de algumas dinâmicas e cenas e foi muito bem utilizada como um elemento da comédia. Unindo assim a parte visual, a parte sonora e o texto, que também apresenta algumas piadinhas sorrateiras vindas de personagens secundários, geralmente, o filme tem bastante humor nas entrelinhas e uma clássica história de amor no primeiro plano.

Esse é um curto filme, com uma curta história e uma bela realização. Aliás, apesar de ser curto, achei que conseguiram introduzir bastante coisa com o ritmo acelerado que a obra adota. Assim, não foi preciso se alongar em quase nada e tudo foi desenvolvido o suficiente. Mesmo não sendo um filme excepcional ou memorável, fico feliz de ter iniciado o ano com uma surpresa tão boa como essa. Foi um filminho bem divertido e que eu não fazia nem ideia da existência até ontem. Espero encontrar mais desses pelo caminho esse ano.

Publicidade
Nota
3

Gabriel Santana

Cena final

O que você achou?

Toque nas estrelas para avaliar:

Comentários da Comunidade

O que você achou?

Carregando comentários...

Você Também Pode Gostar