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Resident Evil

Resident Evil

2026 1h 30min Zach Cregger 0
3,5
AVALIAÇÃO
Publicado em 19 de set de 2026 às 23:13

Nossa Crítica

Após diversas adaptações que tentaram levar aos cinemas a história da franquia de jogos Resident Evil, essa produção parece tentar fugir um pouco do que as demais buscavam e focar um pouco mais na sensação que os jogos traziam do que necessariamente na trama abordada. Esse diferencial é de longe o maior trunfo do filme e realmente se provou uma escolha acertada para diferenciar essa obra das demais e por pouco não seria uma obra excelente, não fosse certas escolhas narrativas derradeiras.

Na trama acompanhamos despretensiosamente Bryan, um entregador de órgãos humanos, que recebe uma missão desafiadora, levar um coração até uma cidade isolada no meio de uma nevasca. A jornada já seria difícil, porém o que era pra ser uma missão para salvar algum desconhecido acaba se tornando uma aventura de sobrevivência inesperada para o próprio Bryan.

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Apesar de conhecer um pouco dos games e saber da existências das outras adaptações de Resident Evil, essa foi a minha primeira experiência no cinema com um filme desse universo. E mesmo assim, consigo enxergar esse filme como um acerto enorme no que diz respeito a uma adaptação dos jogos da série. Apesar de todos os jogos contarem com uma história e tramas intrigantes, o longa aqui foca mais na experiência do player, do jogador, na pele daquele protagonista que acompanhamos. Isso nos traz um frescor perspicaz para essa assistida. Há sim um singelo desenvolvimento de personagem com um background até interessante, mas que não é aprofundado e nem precisa ser para que possamos focar no que realmente o filme se propõe aqui.

A “gamificação” que a mise en scène da obra constrói é muito agradável. Sem dúvidas o principal diferencial aqui. A utilização da câmera em primeira pessoa, a divisão da narrativa em etapas ou fases, os “chefões” de cada nova etapa e até mesmo a falta de experiência do player com os novos desafios são construídos de forma primorosa. Além disso, a própria ambientação e a apresentação dos perigos em pequenas doses é uma escolha muito acertada. Inclusive, as primeiras interações com o sobrenatural chegam de forma despretensiosa, mas vão se potencializando numa velocidade assustadora. Isso ajuda muito a manter o ritmo frenético do filme e ainda assim conseguem chocar.

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O tom da obra também pode ser considerado um acerto. Isso está muito ligado ao protagonista que nos representa na trama. Ele claramente não está preparado para passar pelos perigos que o são impostos, mas precisa de alguma forma lidar com toda aquela situação anormal, coisa que ele faz com quase nenhuma perícia. Isso traz um ar debochado para a obra que contrasta com certos causos grotescos que surgem de forma sorrateira. Talvez isso seja um dos pontos que tornam algumas situações mais impactantes, mesmo que o filme jamais perca o tom aventuresco. Se por um lado fica óbvio que o player está jogando no modo fácil, com todos os auxílios e proteções do roteiro, ainda assim é plenamente aceitável seguirmos imersos no jogo através da perspectiva daquele personagem.

Mesmo mantendo praticamente a mesma estrutura formal durante toda a narrativa, o filme acaba se perdendo um pouco em suas próprias pretensões quando chegamos ao último ato. Isso é perceptível quando algumas situações tensas são superadas com tamanha facilidade pelo protagonista e as facilitações começam a ficar explícitas demais. Ao longo do filme as várias dificuldades de Bryan ficam óbvias e sua forma desesperada de lidar com os perigos são utilizadas até de forma humorística, mas o personagem nunca deixa de sofrer pequenos reveses e isso faz com que temamos minimamente por ele, mesmo sabendo que ele tem uma proteção extra narrativa clara. O problema central desse filme para mim é que toda a jornada construída de maneira sólida é completamente desrespeitada por uma conclusão estapafúrdia e destrambelhada.

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O problema do filme não está nem no desfecho que ele apresenta. Esse desfecho está plenamente coerente com o que foi construído até ali e por mais que seja um pouco contraintuitivo, à primeira vista, é completamente aceitável e até mais interessante do que o comum. Mas o que realmente me fez perder um pouco do brilho foi a maneira como esse desfecho foi construído, com uma sequência final completamente desnecessária. Se o filme terminasse com uns 10 minutos a menos a minha experiência teria sido bem melhor. A impressão que fica é que não tiveram o mesmo cuidado utilizado na construção da obra até aquele momento e então a condução perdeu o equilíbrio que mantinha o filme numa linha tênue agradável entre o plausível e o fantástico e passaram do ponto na extravagância, chegando a um nível que mais afasta do que imerge na trama.

Apesar de um final terrivelmente brochante, o filme ainda se sustenta pela novidade na forma como aborda e projeta esse universo já tão saturado de tentativas de adaptação nas telonas. Mais pela forma do que pelo conteúdo, o filme consegue entreter e nos manter imersos por quase toda sua duração e só isso faz dele uma das mais bem sucedidas reimaginações que Resident Evil poderia ganhar no cinema.

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Nota
3,5

Gabriel Santana

Cena final

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