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O Dia Que Te Conheci

O Dia Que Te Conheci

2024 1h 11min André Novais Oliveira 0
3
AVALIAÇÃO
Publicado em 27 de jul de 2026 às 23:15

Nossa Crítica

Filme de André Novais Oliveira, “O Dia que te Conheci” traz uma história singela com uma ambientação regional extremamente agradável, mas se perde como uma obra indecisa entre curta ou longa e parece ficar no meio termo, sem angariar os méritos nem de uma, nem da outra.

Na trama acompanhamos um dia na vida de Zeca, um bibliotecário de uma escola que convive com problemas de pontualidade em seu dia a dia devido aos remédios que toma para depressão. Durante mais um dia na sua puxada rotina em que o rapaz parece só existir, entre muitos percalços, surge a presença de Luísa, que acaba trazendo de fato mais vida para sua existência.

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Essa é uma obra fofa e que me agradou muito em determinados aspectos. Acho que na forma como narra um cotidiano qualquer de forma perspicaz e transita por situações teoricamente insignificantes de forma divertida, mas principalmente por sua composição de universo muito palpável e regional. Podemos de fato mergulhar naquele lugar e conhecer um pouco da vida de um morador comum, acompanhando as durezas de uma simples rotina. Ao mesmo tempo, me agrada muito o fato de como temáticas complexas são inseridas aí de forma corriqueira e exploradas de maneira pontual pela narrativa, sem nunca se prestar a obrigação de ser expositiva demais. Por outro lado, tudo isso foi se esvaindo durante a minha experiência devido a certas escolhas narrativas e até mesmo ao modo como a produção é conduzida.

“O Dia que te Conheci” traz boas ideias espaçadas — e bem espaçadas — por sequências de tempo morto durante sua duração, numa tentativa de transformar um curta num longa-metragem. Essa foi a impressão que eu tive assistindo a obra. Por mais que possa ser defendida como uma linguagem própria, essa dinâmica arrastada da obra é suficiente para quebrar a imersão em muitas oportunidades. O filme é longo demais para ser um curta e muito do ritmo se perde. E é curto demais pra ser um longa e aí parece que os temas ficam vagos e tem cenas apenas para ganhar minutos, sem contar algumas decisões de direção que são no mínimo discutíveis. No meio de tudo isso, a montagem tenta trazer uma dinamicidade agradável, mas não tem muito o que fazer com o material que tem em mãos. Curioso como isso possa acontecer sendo que o diretor é também o roteirista e montador da obra.

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Mesmo que não seja algo técnico que mais me desagrade nesse filme, vou tentar exemplificar meu principal incômodo com uma sequência. Há uma cena em que o foco é totalmente no diálogo, mas a disposição dessa cena tira completamente a nossa atenção do que está sendo dito por causa do que está sendo visto em tela, tamanha a discrepância com o restante do filme. Em contrapartida, há uma cena linda em que acompanhamos um plano sequência muito bem realizado nas ruas vazias do centro de Belo Horizonte, com direito até a uma trilha sonora disruptiva, mas que poderia muito bem ser ainda melhor aproveitado com o diálogo que foi escanteado numa cena anterior. São essas pequenas decisões que fazem a produção perder algumas oportunidades de ser mais coesa e agradável, para mim.

Outro exemplo é a incoerência de uma cena demonstrar uma construção de intimidade entre os personagens para logo em seguida tentar expor uma timidez repentina. São coisas insignificantes, mas que me tiraram completamente a imersão em momentos recorrentes do filme — e olha que o filme quase não tem 1 hora. Por outro lado, as atuações são agradáveis e trazem uma naturalidade pertinente para a obra. Os personagens parecem realmente existir e os contextos — muitas vezes cômicos — que surgem naquele único dia são divertidos de acompanhar isoladamente.

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Foi justamente por enxergar um grande potencial na obra que, ao apreciá-la, o filme perdeu um pouco do seu encanto para mim. A temática é importante e bem estabelecida, os causos são divertidos, os personagens são legais, mas a união disso não me proporcionou uma ótima experiência como teoricamente deveria. É um filme singelo, mas muito fofo e competente em discutir temas complexos com a simplicidade de uma rotina cotidiana vivida por inúmeros brasileiros.

Nota
3

Gabriel Santana

Cena final

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