Nossa Crítica
Esse foi um daqueles filmes que me cativou desde sua premissa, passando pela sua sinopse e indo até a assistida. Longlegs é um suspense curioso que apresenta toques de originalidade interessantes e uma trama muito bem arquitetada, mas com um desenrolar final, digamos, controverso, ao menos para mim. De qualquer forma, eu consigo enxergar muito mais méritos do que deméritos aqui nessa obra, principalmente no que diz respeito a construção do clima de tensão e também a sua montagem.
Acompanhamos na trama a história de uma policial recém habilitada que está em um caso muito complexo. Logo de cara ela precisa desvendar a identidade de um serial killer que apresenta um modus operandi bem particular, além de entender seu modo de agir para prevenir futuros ataques. O problema, além do fato de o assassino ainda estar a solta e fazendo vítimas em sequência, é que a cada passo dos policiais, os mistérios vão ficando cada vez mais complexos e intrincados.
Comecemos pela parte que eu mais gostei do filme: a sua construção do suspense. Para acentuar ainda mais o meu gosto por esse aspecto da obra, ressalto que eu usei uma das cenas que eu mais gostei do filme como referência para um trabalho meu da faculdade. Achei muito cativante como a direção utiliza um timing incomum para as ações dos personagens aqui. Não parece que segue aquela famosa sequência linear do suspense convencional. Aqui parece que os personagens agem mais pelo instinto, de uma maneira mais orgânica, de certa forma. Para exemplificar, posso descrever a tal cena que eu citei anteriormente. A protagonista chega na sua casa, escura e isolada, e escuta algum barulho vindo de fora da casa. Ao invés de ela simplesmente abrir a porta e dar de cara com um jump scare barato, ela enxerga pela janela, ao longe, uma figura macabra na escuridão. A trilha sonora, com um ruído bem incômodo, ajuda a aumentar a tensão do momento. Além disso servir como susto fora de hora, a sequência dos fatos é ainda mais interessante. A moça vai até o lado de fora com arma em punho e sem pestanejar busca o indivíduo que estava lá fora. A câmera segue a moça de forma ágil e a sua respiração forte dá à cena um clima ainda mais tenso sem necessidade de uma trilha sonora tão invasiva e onipresente. E esse é só um exemplo de cena que me agradou no filme. Ainda tem muitos outros, como por exemplo uma numa biblioteca. Mas isso fica para a experiência de cada um com a obra.
Além da coragem peculiar que os personagens aparentam ter aqui nesse universo, a investigação também foi para mim uma característica muito engajante. A maneira como todas as peças eram encontradas e até mesmo os erros de raciocínio que apareciam pelo caminho davam um ar mais realístico ao longa. Uma coisa que talvez ajudou a me afastar do filme lá pelo final. Porém, até a parte em que eu estava cem por cento imerso na obra, tudo aquilo estava me parecendo muito interessante. Essa vertente do suspense investigativo geralmente me agrada bastante. Aliado a isso, a maneira como a montagem conduzia de forma ágil as cenas e as sequências do longa me deixaram muito empolgado em certo ponto da narrativa, trazendo construções sublimes de suspense como as que eu citei no parágrafo anterior.
Um ponto interessante aqui foi a forma como o filme trata o seu antagonista. A maneira como a direção não tem nenhum receio de expor o personagem título dá um ar de soberba interessante, como se ele estivesse o tempo todo no controle da situação. Me passou uma sensação parecida a que eu senti em Se7en – Os Sete Crimes Capitais. O que é bastante proveitoso para o suspense. Não sei se essa conexão foi proposital, mas, no meu caso, teve um efeito muito positivo. Em relação novamente ao antagonista e sua maneira de agir pouco intuitiva, a forma como o filme intercala certas ações dele com o desenrolar da trama principal nos deixa sempre curiosos para entender como aquilo tudo vai se explicar ou se de fato vai haver alguma explicação para aquilo. E acredito que não só o antagonista é bem interessante. Todos os personagens parecem ser bem desenvolvidos.
Mas agora vamos falar do final. Para eu dar a minha opinião sem tocar em spoilers, digamos que existiam duas vertentes que o filme poderia adotar para explicar os acontecidos. E digamos ainda que eu estava torcendo bastante para que ele seguisse uma em específico, pois, a meu ver, seria muito mais interessante de se observar os desdobramentos dela. Porém, infelizmente pra mim, o filme escolheu, convenhamos, a opção mais fácil. Isso realmente tirou um pouco do brilho da obra, no meu caso. E foi em uma cena específica que tudo isso fica claro. Nesse momento do longa o meu interesse deu uma amornada. A partir daí, fiquei meio apático com os acontecimentos, mesmo que eles fossem bem chocantes até. Não é como se houvesse uma quebra total naquele momento, até porque haviam sim pistas por todo o percurso que apontavam para algo do gênero. O ponto é que essa ruptura aconteceu na minha perspectiva. Foi a maneira como eu estava enxergando ou como eu queria enxergar aquela obra que me fizeram experimentar esse choque. O que pode variar na visão de outrem.
No final das contas, o filme foi muito interessante até certo momento da narrativa e do ponto de vista da direção e da montagem, acredito que só hajam méritos aqui. Em relação ao desenrolar da história, pode ser apenas uma implicação minha, mas acredito que se fosse adotada uma outra linha de desenvolvimento, acho que esse aqui estaria entre os meus filmes preferidos do ano. Como não foi o caso, está aí uma obra muito perturbadora e cativante como suspense e um terror não convencional interessante, podemos dizer assim.
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