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Hellboy e o Homem Torto

Hellboy e o Homem Torto

2024 1h 39min Brian Taylor 0
0.5
AVALIAÇÃO
Publicado em 09 de set de 2024 às 19:00

Nossa Crítica

Esse filme com toda certeza me proporcionou uma das minhas piores experiências no cinema da minha vida. Na verdade, acho que esse foi o pior filme que eu já vi no cinema de todos. Nada faz sentido, para mim, nesse longa e tudo o que poderia ser aproveitado de uma assistida foi completamente estragado por uma obra muito da medíocre.

Não sei nem explicar a trama, até porque acho que ela nem existe. O filme é uma sequência de acontecimentos praticamente aleatórios que vão enfileirando maluquices e apresentando personagens a cada nova sequência, sem qualquer coerência ou lógica interna. Mas uma hora estamos num trem acompanhando um grupo que está transportando uma aranha assassina mortal. Do nada a aranha escapa da jaula, dos mocinhos e da trama, até porque ela nem volta a aparecer no filme direito e toda a sua importância magicamente desaparece. Parece que ela some, assim como o foco dos protagonistas do filme. Acho que todos os personagens aqui sofrem de TDAH, porque mudam de foco o tempo inteiro. Eles não sabem mais o que fazer, para onde ir e onde estão. Na sequência dos fatos, Hellboy, o personagem título, e seu grupo de aliados encontra uns caipiras aleatórios que se juntam a trama da maneira mais sem sentido do mundo e todos se unem contra uma ameaça que também chega do nada, o Homem Torto.

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Por onde é que eu começo a falar mal desse filme? Nada aqui fez sentido. Vamos começar pelo menos mal então. Visualmente o filme parece barato. Mas tem até algumas sequências que enganam no início. Isso porque no final parece que o dinheiro foi se acabando – junto com a criatividade – e o design de produção foi sofrendo cada vez mais para criar cenários, figurinos, objetos e vou ter que dizer, até conceitos. Sei que esse filme é inspirado em obras anteriores, mas parece que abandonaram a mitologia original para criar um spin-off totalmente aleatório. Na verdade, eu não tenho conhecimento para dizer isso, mas se isso aqui faz parte da história original, o filme fez parecer que não fazia. O que parece mesmo é que estenderam um episódio filler ruim para a duração de um longa-metragem.

Acho que o que mais me deixou indignado nessa obra é a narrativa. Não há uma sensação de progressão. Nós não sabemos nem exatamente o que os personagens querem e o que foram fazer. Há um vilão, há um local, há pessoas e sei lá. É isso. O grupo protagonista começa a ir de um lado para o outro, veem umas coisas bizarras, alucinam, tem flashbacks e depois o filme acaba. Essa foi a minha sensação. Conceitos são apresentados já no final do filme de um modo que eu fiquei me perguntando se esse filme não era uma continuação. Simplesmente tudo foi jogado para que a gente entendesse por conhecimento prévio ou mágica.

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Se esse aqui era pra ser um filme de terror, houve apenas uma cena – eu disse uma cena – que me tirou um suspiro singelo. De resto, nada impressiona, nada assusta, nada nem sequer surpreende. A verdade é que isso aqui parece uma piada para o gênero. Se eles somente não se levassem a sério e caíssem no humor, poderia até ser uma obra aproveitável, mas nem isso. Por mais que não tenha clima, o filme tenta forçar uma atmosfera de terror o tempo todo. Mas nem assim a ação consegue ganhar qualquer emoção ou peso dramático.

Os personagens daqui também parecem que não quer estar no filme. O protagonista é um sisudo esquisito que tá aqui a força, mas que é totalmente invulnerável. Nada traz qualquer ameaça a ele ou a seus amigos. E os seus amigos parecem estar sem saber o que fazer em cena. Na verdade, os acontecimentos parecem surgir ao acaso. Aparecem personagens, somem personagens. Tudo de uma forma aleatória, mas que o filme tenta apresentar de uma maneira tão solene que cansa. Está aí. Talvez se o filme não se levasse tão a sério poderia ainda ser alguma coisa “assistível”. Mas é uma seriedade tão grande para um material tão fraco e simplório que o tom fica deslocado. Acho que é isso que faz os personagens não parecerem confortáveis em cena. Parecem envergonhados de fazer parte daquilo tudo, menos o padre.

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Por falar do padre, esse parece ser o único personagem que sente orgulho de estar no filme. Ele realmente se entrega ao filme e nos dá, senão a cena mais memorável, pelo menos uma das mais hilárias de ruim. Porém, assim como ele surge, ele desaparece do filme, sem qualquer peso dramático. Assim como todos os outros personagens. Mas enfim, o interessante na sequência da igreja é a sua péssima qualidade. O cenário é fake, os causos são piores ainda. Mas é ali que uma pá se torna o objeto mais importante desse filme. Isso mesmo, uma pá. Eu falei que nada fazia sentido. Realmente eu não sei se isso vem do material de origem, mas como eu falei, do jeito que foi apresentado, tudo isso parece que foi baseado no completo nada.

No final da experiência, minha indignação era tanta que eu não conseguia aceitar que o filme tivesse acabado daquela forma. Meu desejo era ficar até os últimos créditos para alguém aparecer dizendo que fizeram esse filme como piada, trote ou crítica social aos filmes de fantasia modernos, porque não é possível. Eu acho que nunca tive a sensação de que um filme comercial foi feito para não ser entendido, mas esse aqui, se não tentou, conseguiu. Não costumo dizer isso, mas que filme ruim viu.

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Nota
0.5

Gabriel Santana

Cena final

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