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Devoradores de Estrelas

Devoradores de Estrelas

2026 2h 37min Phil LordeChristopher Miller 0
3.5
AVALIAÇÃO
Publicado em 05 de abr de 2026 às 23:44

Nossa Crítica

Após descobrir a existência desse filme e sua boa repercussão, decidi ir ao cinema assistir sem pesquisar nada a respeito dele. Com isso, tive uma boa experiência e consegui entender sua boa aceitação popular, mesmo que as obras que o inspiram sejam, a meu ver, bem superiores. A seguir vou desenvolver o porquê acho isso e também detalhar seus méritos e equívocos.

Numa nave espacial a milhares de quilômetros da Terra, um tripulante acorda e percebe que está sozinho no espaço. Desorientado e sofrendo com a falta de memória, Grace tenta descobrir quem é e o que está fazendo vagando no espaço. Após finalmente entender sua missão de descobrir o que está causando a morte de estrelas no universo, ele precisa obter sozinho uma solução para esse problema — ao menos é o que ele imagina a princípio.

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Tecnicamente exuberante, esse filme não deixa muito a desejar em comparação a outros filmes do gênero no que diz respeito às características de fotografia, arte e som. Porém, o longa abdica de um maior desenvolvimento da ficção científica no seu roteiro para focar no desenvolvimento de personagem e numa relação de companheirismo que já nos deparamos por aí em inúmeras produções. De qualquer modo, esse relacionamento carismático que vai ganhando contornos cativantes é mais do que suficiente para garantir uma experiência satisfatória e foi, provavelmente, o que tornou essa obra grandemente adorada pelo público.

Mesmo que de forma contida, o filme explora um suspense envolvente. São cenas esporádicas, mas que contam com uma construção de atmosfera exemplar. Enquanto o mistério ainda paira no ar, a sensação de claustrofobia naquela nave espacial é explorada com muito apreço pela direção que consegue nos transmitir uma sensação de isolamento e perigo iminente, principalmente em relação ao desconhecido. Aos poucos essa faceta do filme é trocada por uma outra atmosfera mais casual e agradável, mas isso não invalida as boas cenas que foram criadas ao longo do caminho. De uma forma bem mais extravagante — e com bem mais orçamento — esse filme faz um pouco do que “Oxigênio”, de Alexandre Aja, fez em 2021.

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Complementando o que ressaltei anteriormente, o filme foca muito mais na construção de uma narrativa centrada no seu protagonista do que realmente numa trama intergaláctica complexa e cheia de conceitos científicos. Pelo contrário, a ciência aqui trabalha em favor do roteiro, com problemas e soluções surgindo em momentos precisos para garantir avanços e plot twists na trama. Isso não é de todo problemático, mas afasta um pouco daquela sensação de veracidade que produções do gênero costumam ter. Talvez seja esse o motivo de esse filme não me tocar tanto quanto “Perdido em Marte”, por exemplo. Se lá somos conquistados também pelo carisma de seu protagonista, há porém um quê de imprevisibilidade e complexidade cativantes que nos prende e inquieta a todo o instante, o que aqui não se mantém homogêneo durante toda a narrativa.

Por outro lado, a relação entre os dois personagens principais também acaba sendo uma repetição de um outro clichê que costumamos acompanhar em filmes de aventura: o desenvolvimento de uma amizade entre um humano e um ser fantástico, ao bom estilo de “Como Treinar o Seu Dragão”. Essa fórmula de relação de interdependência entre uma pessoa e um ser inteligente, porém, ingênuo em relação aos trejeitos humanos, é utilizada com maestria nessa obra e é de longe o que mais nos conecta ao filme. A afeição que surge do medo e se transforma em companheirismo é emocionante e nos tira também boas risadas pelo caminho.

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Outra coisa me deixou um pouco curioso a respeito da trama. Apesar de se focar principalmente no desenvolvimento do Doutor Grace, sua personalidade anterior à narrativa presente se mostra bastante simplória, sendo possível descrevê-la em poucas linhas. Mesmo sempre carismático, as descobertas que vamos acompanhando junto ao personagem acabam por não se provarem de fato tão interessantes quanto o dia a dia que acompanhamos no espaço. De qualquer forma, a esse ponto do longa já estamos totalmente engajados na história e seu carisma bem provavelmente já nos conquistou.

Surfando no que faz “A Chegada” especial, a construção de uma nova linguagem de comunicação entre os dois diferentes personagens também é um ponto cativante, por mais que isso seja bem simplificado pela narrativa ao longo do filme. “Devoradores de Estrelas” constrói uma relação e uma comunicação baseada na empatia e amizade genuína que conquista e emociona, mas opta por nos esclarecer e traduzir didaticamente, não se arriscando em apenas nos deixar sentir e deduzir. 

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Esse é um filme empolgante, mas que por algumas decisões que priorizam simplificar a narrativa em favor de uma experiência mais emotiva e convencional acabaram por colocá-lo aquém de outros filmes que inclusive o inspiram, tornando-o uma experiência quase que repetida. É aquele famoso filme que você sai com a sensação de já ter visto ele em algum lugar, mesmo sendo sua primeira experiência. De todo modo, essa salada de fragmentos ainda sim consegue ser divertida.

Nota
3.5

Gabriel Santana

Cena final

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